Com cerca de 150 participantes, foram aprovadas, na tarde desta segunda-feira (02/04), em Assembleia Geral, as prestações de contas de 2017 das três entidades que compõem o Sistema Ocepar: Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná), Fecoopar (Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná) e Sescoop/PR (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo). Entre os presentes, havia lideranças de 49 cooperativas paranaenses. O presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, foi representado na oportunidade pela gerente geral do Sescoop, Karla Tadeu Duarte de Oliveira. O evento, realizado em Curitiba, foi ainda prestigiado pela vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, pelo presidente do Sistema OCB/AC, Valdemiro Rocha, e pelos ex-presidentes da Ocepar, Guntolf Van Kaick, Wilson Thiesen, Dick de Geus e João Paulo Koslovski.
Pauta- Além dos resultados do cooperativismo paranaense referentes ao ano passado, a pauta contemplou as apresentações do plano de ação e do orçamento de 2018, além dos balanços patrimoniais, demonstrações contábeis, pareceres dos Conselhos Fiscais e relatórios das auditorias externas e interna.
Atividades- As atividades foram conduzidas pelo presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, com apoio dos superintendentes Robson Mafioletti, da Ocepar, Nelson Costa, da Fecoopar, e Leonardo Boesche, do Sescoop/PR. O ex-presidente do Sistema Ocepar, João Paulo Koslovski, foi eleito presidente Ad hoc, para coordenar a discussão e aprovação dos balanços patrimoniais e demonstrações contábeis das três entidades.
Mensagem- Em sua mensagem de abertura, Ricken destacou o avanço obtido pelas cooperativas paranaenses no exercício anterior. “Mesmo em um cenário nacional desfavorável para a economia, em 2017, o faturamento das 220 cooperativas do Paraná cresceu R$ 1,3 bilhão, passando para R$ 70,6 bilhões, com 89.000 empregos e milhares de oportunidades de negócios diretos e indiretos no campo e na cidade, gerando mais de R$ 2 bilhões em impostos”, afirmou.
Mais cooperados -Ele lembrou ainda que o cooperativismo também vem evoluindo em número de cooperados. “Devido ao desenvolvimento do cooperativismo, mais de 84 mil pessoas se associaram às cooperativas em 2017, a maioria – 76 mil – nas de crédito e sete mil nas agropecuárias. A credibilidade do sistema cooperativo, construída com muito trabalho, com produtos de qualidade e investimentos nos mercados consumidores, se confirmou em recente pesquisa do Datacenso, em que 97% dos entrevistados aprovaram a qualidade e o preço justo dos produtos das cooperativas”, ressaltou.
Desenvolvimento das pessoas -O presidente destacou o foco no desenvolvimento humano como um dos diferenciais do trabalho realizado pelas cooperativas. “A opção do cooperativismo é pelo desenvolvimento das pessoas, cooperativas e comunidades, com organização econômica e social e, sobretudo, pelo criterioso planejamento de ações. Tanto que o Plano Paraná Cooperativo (PRC 100), atualmente em desenvolvimento, é a continuidade desse trabalho”.
Atenção- De acordo com Ricken, a formação de lideranças, o treinamento dos profissionais e os investimentos nas áreas técnica e social têm especial atenção do Sistema Ocepar e das cooperativas. “Em 2017, o Sescoop/PR realizou 8.324 eventos de capacitação e promoção social, com 192 mil participações e 107.619 horas-aula. Para isso, as parcerias com as entidades do Sistema S e com universidades foram fundamentais”, acrescentou.
Ramos- O dirigente cooperativista também falou sobre as conquistas obtidas nos diversos ramos do cooperativismo paranaense. “O cooperativismo de crédito cresce de forma segura e com alto nível de profissionalismo, democratizando o acesso ao crédito a milhares de pessoas, devido à sua capilaridade e forte vínculo com as ações locais e regionais. Já possui mais de R$ 37,6 bilhões em ativos. Na saúde, são mais de 15 mil cooperados nas 33 cooperativas, ofertando serviços de qualidade, prestados por médicos, dentistas e outros profissionais, que atendem mais de 1,3 milhão de pessoas. Os transportadores estão se organizando em todo o país, buscando regulamentação mais adequada para a atividade. No Paraná, há 30 cooperativas, com 2.746 cooperados. O cooperativismo de infraestrutura, de trabalho, educacional, turismo e lazer está sendo revitalizado, como nova opção de organização dos empreendedores”, disse.
Programas- Ele destacou ainda o empenho do segmento em aprimorar a sua gestão, com diversos programas de capacitação voltados aos presidentes de cooperativas e, ainda, o Programa de Certificação de Conselheiros, que visa buscar maior profissionalização dos cooperados que participam da gestão das cooperativas, que já certificou 1.670 líderes e dirigentes. Além disso, o Sistema oferece ainda o Programa de Autogestão “que, iniciado nos anos 90, continua sendo um importante instrumento para a melhoria da gestão das cooperativas”, salientou.
Confiança- “Isso mostra que as cooperativas continuam confiantes e investindo em novas atividades gerando oportunidades de emprego e renda, desenvolvendo produtores e empreendedores nas diferentes atividades, acreditando no Brasil. As cooperativas se preparam para um novo ciclo de desenvolvimento e investem na construção de mais indústrias, na geração de energia, na construção de hospitais e centros especializados em saúde, em novas unidades de atendimento das cooperativas de crédito, enfim, em uma série de ações para atender cada vez melhor seus cooperados e as comunidades onde atuam”, completou.
Relatório de atividades -Responsável por fazer a apresentação do Relatório de Atividades de 2017 da Ocepar, o superintendente da organização, Robson Mafioletti, ressaltou outros números do cooperativismo paranaense. De acordo com ele, no ano passado, o setor atingiu R$ 8,3 bilhões de vendas diretas em exportações e somou R$ 2,15 bilhões em investimentos. Destacou ainda o PRC 100, lembrando que em 2017 foram lançados 13 projetos em diversas áreas, com o intuito de contribuir para que as cooperativas do Paraná alcancem a meta do atual planejamento estratégico do setor. “O PRC 100 foi lançado em 2015 e está em pleno andamento. Queremos seguir até 2020/2021 pavimentando o caminho para chegarmos firmes e fortes ao nosso propósito de atingir os R$ 100 bilhões de faturamento”, ressaltou.
Funrural e crédito rural- Mafioletti disse ainda que 2017 foi marcado por muitas mobilizações em torno de questões ligadas ao Funrural e ao crédito rural, com a participação do cooperativismo em audiências públicas e encontros com ministros, diretores do Banco Central e da Receita Federal, e que geraram conquistas, como a publicação da Lei Federal nº 13.606, que instituiu o Programa de Regularização Tributária Rural, permitindo o parcelamento dos débitos do Funrural. Ele também lembrou da publicação da Resolução nº 4.597/2017, do Conselho Monetário Nacional (CMN), que restabeleceu o crédito rural para as cooperativas agropecuárias.
Mais leis -O superintendente da Ocepar elencou outras leis publicadas ao longo do ano passado que representaram avanços em várias áreas e que tiveram envolvimento do setor, como as de nº 13.488, que trata das concessões de rodovias, ferrovias e aeroportos; nº 13.467, que alterou os dispositivos da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT); nº 161, que autoriza as cooperativas de crédito a operar as contas das Prefeituras e suas autarquias; nº 9.257, que prorroga a adesão ao CAR para 31 de maio de 2018, e a de nº 13.584, que institui o município de Castro (PR) como Capital Nacional do Leite, entre outras.
Meio ambientee sanidade -Na área de meio ambiente, ele lembrou que um estudo feito pela Embrapa, a pedido da Ocepar, mostrou que 28% das áreas de propriedades rurais do Paraná são destinadas à preservação do meio ambiente. “Nossos agricultores preservam mais do que os 20% previstos em lei”. Outro ponto importante foi a destinação de R$ 1,2 milhão, feita pelas cooperativas ao Fundo de Estruturação de Defesa Sanitária, cujos recursos foram aplicados na instalação de postos de fiscalizações. “Trinta dos 33 postos previstos já estão em funcionamento. Faltam apenas três. Essa é uma das medidas importantes para antecipar a retirada da vacinação de febre aftosa no Paraná e alcançarmos o mais breve possível o status de área livre da doença sem vacinação, o que será importante para ampliamos o mercado de comercialização da carne para outros países”, frisou.
Plano de ação -Mafioletti falou também sobre o plano de ação da Ocepar para 2018. De acordo com ele, a entidade deve continuar atuando em conjunto com a OCB no Congresso Nacional e com os parlamentares da Frencoop (Frente Parlamentar do Cooperativismo), com o intuito de propor políticas públicas aplicáveis aos ramos do cooperativismo e programas de apoio às cooperativas nas áreas de investimento, crédito, seguro rural, infraestrutura, saúde, transporte entre outras. Também está prevista a discussão de medidas com o Ministério da Agricultura, ligadas à defesa sanitária, registros de defensivos agrícolas, Programa Agro+ e questões relativas à ocorrência de salmonela na produção animal. A organização pretende ainda atuar em defesa do modelo de crédito rural atual junto aos ministérios da Fazenda, Planejamento, Agricultura e Banco Central do Brasil, entre outros itens.