O assunto está em evidência nos noticiários de todo mundo e a imprensa especializada vem comentando o tema por vários meses, trata-se da Peste Suína Africana (PSA) que acomete os plantéis de grande parte da Ásia, que até setembro, contabilizou mais de 6 milhões de animais eliminados, conforme a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
O avanço da PSA preocupa o setor produtivo, especialmente o brasileiro, onde a doença não é registrada desde o fim da década de 1970. Grupos organizados e especialistas chamam a atenção para os sistemas e melhorias na defesa sanitária, bem como intensificação nas ações de prevenção.
“Não existe vacina. Por isso, a única forma de controle é a vigilância e os cuidados sanitários. O vírus da PSA é muito resistente. Pode chegar por meio de contêineres transportados por navios, por aviões e até pela roupa de uma pessoa que, por exemplo, foi à China e visitou uma granja contaminada. É preciso muito rigor nesses cuidados”, explica a médica veterinária Nicolle Wilsek, do Departamento Técnico (Detec) em conteúdo divulgado pelo Sistema FAEP/SENAR-PR.
A prevenção deve ser feita nos portos, aeroportos e modais de acesso de pessoas, alimentos e possíveis contaminantes vindos das regiões afetadas. Contudo, a biosseguridade nacional também deve acompanhar toda a cadeia, de modo que ela começa em cada ponta, em cada propriedade rural.
Para os cooperados, produtores de suínos integrados no sistema da Copagril, o manejo adequado com modelos de produção e gestão já fazem parte do dia a dia de produção e passam por novas adaptações, como é o caso da Certificação de produção da integração Copagril, que vem ao encontro da normativa da Adapar. São metodologias de avaliação que visam aprimorar as granjas de produção de suínos em relação aos aspectos estruturais e de manejo, com foco na qualidade da proteína animal e na biosseguridade, fortalecendo o segmento e atendendo as demandas dos mercados nacionais e internacionais que exigem os melhores indicadores.
Propriedade certificada
A produtora Jacinta Dillmann, de Quatro Pontes, já está com a propriedade certificada em sua categoria: terminação. Ela integra o sistema da Copagril e o recente lote entregue de quase 1.400 animais, já com a certificação, contou com a bonificação por animal. “É um valor a mais que o produtor receberá sobre cada animal entregue no modelo de certificação. Importante frisar que é uma a bonificação permanente, não apenas para os primeiros ou alguns lotes, é para todos. Isso tudo favorecendo nossa cadeia de produção, atendendo os mercados consumidores e conseguindo alcançar novos mercados – ainda mais exigentes”, explica a zootecnista Vanessa Wommer, da equipe de assistência técnica da Copagril.
Vanessa esclarece que a certificação, que acompanha a normativa da Adapar, apresenta ações que os produtores já praticavam e outras que precisam ser adequadas, entre elas o zoneamento entre área suja e área limpa, acesso de pessoas, troca de roupas e calçados, cerca de proteção e as práticas de 5S – assim chamado o programa com o objetivo de implementar ações práticas de qualidade visando aperfeiçoar aspectos de organização, limpeza e padronização. “São mudanças simples, muitas vezes, e quando implementadas vemos que já podíamos ter feito antes”, comenta Jacinta, que já está na atividade há mais de 12 anos e que conta com o apoio do filho Alan no manejo diário da propriedade.
Área suja e área limpa
Uma das mudanças mais evidentes neste processo é o isolamento das granjas com cerca, a qual deve ter uma mureta e tela de 1,5 metro de altura com malha máxima de 6 cm cercando todas as granjas, de modo que proteja toda a área limpa, insumos e equipamentos de manejo. Na propriedade da Jacinta o escritório está instalado dentro do cercado, assim com os silos para a ração e o carregador, que já foi instalado para que no momento do carregamento, o veículo não precise acessar a área limpa (dentro do cercado). “Com esse sistema de cerca e isolamento das granjas o objetivo é impedir que animais cheguem até os suínos e assim preservar a saúde do plantel. Esses animais que vêm das matas são possíveis transmissores de doenças e por isso é tão importante o isolamento”, descreve a zootecnista Vanessa. Ela também explica que além da cerca para impedir o acesso dos animais por terra, as telas e o isolamento com lona dentro das granjas também são fundamentais para impedir o acesso das aves. “Por isso acompanhamos os produtores e trabalhamos juntos na verificação, para sempre ter telas e lonas em bom estado, sem brechas que permitam a passagem das aves”, completa.
A passagem da área suja, (área externa do cercado) para a área limpa é feita pelo espaço de troca, onde os trabalhadores, técnicos e todos que acessarem as granjas devem tomar banho e fazer a troca das vestimentas. Para acessar, as pessoas devem usar apenas as roupas e calçados da propriedade e assim evitar contaminantes externos. “Assim como na propriedade da Jacinta, o importante é um espaço funcional e prático. A construção deve ter cerâmica, para favorecer a limpeza e higienização e ter os espaços adequados para a troca. O fundamental é a eficiência para o produtor, que o espaço cumpra a função de troca e isolamento”, diz Vanessa.
5S
Jacinta logo observou que as mudanças estão nas atitudes do dia a dia e que, quando incorporadas ao sistema de manejo favorecem o trabalho. “Tudo está devidamente identificado, facilitando a organização e as atividades que realizamos diariamente”, explica a produtora. A organização, complementa Vanessa, é uma ação para o controle de doenças, mas também com o objetivo de oferecer praticidade ao sistema de trabalho do produtor rural.
No escritório deve permanecer o quadro de avisos, que deve conter permanentemente as certificações e os padrões de trabalho na granja, como é o caso da tabela de aviso de doenças. “Olhamos todos os dias e isso ajuda a ficar atento. Esse é nosso sustento e por isso estamos sempre cuidando e quando há alguma coisa diferente entramos em contato com a equipe da Copagril”, relatou Jacinta sobre a assistência técnica. “Fazemos o acompanhamento com os produtores, as avaliações dos animais e ajudamos durante o manejo. Se houver alguma doença suspeita realizamos as análises e encaminhamos para a Adapar, conforme legislação”, completou Vanessa.
Todo manejo
O atendimento à normativa da Apadar deve ser feito por todas as granjas de suínos e a certificação é uma importante conquista para os produtores, do ponto de vista de valorização econômica, mas também de toda a cadeia de produção e industrialização da carne suína. São mudanças que colaboram com o controle sanitário, que favorece o mercado brasileiro, e que também dá mais segurança para nossos produtores regionais, assim todos ganham.
Na propriedade da Jacinta os silos já estão dentro da área limpa, assim como a esterqueira, que foi cercada e isolada evitando contaminações e o acesso de animais. Um outro ponto que também está em processo na propriedade é a mudança da composteira. Assim permitirá o armazenamento pelo acesso interno do cercado e a retirada do composto pela área externa – a área suja.
Sanidade
Além da Peste Suína Africana, o produtor também deve estar atento à Peste Suína Clássica (PSC). Em relação a PSC, o Brasil tem a Zona Não Livre, que incorpora alguns estados do Norte e Nordeste. Para as outras regiões e estados, como é caso do Paraná, a área é considerada de Zona Livre, mas a atenção deve ser mantida para a segurança da cadeia produtiva.
A Normativa da Adapar e a Certificação das Granjas no modelo de integração com a Copagril colaboram para a cadeia de produção, por isso todos produtores devem ficar atentos às exigências, a fim de dar continuidade na produção por meio de modelos de biosseguridade em cada granja, que em conjunto ampliarão o status sanitário brasileiro e as oportunidades comerciais relacionadas aos bons resultados.