Mesmo chegando ao fim do período de semeadura é importante acompanhar as orientações e ficar atento em cada safra para a regulagem das máquinas, uma vez que está ligada ao potencial produtivo.
Acompanhe a matéria completa divulgada na Revista Copagril:
Para a cultura do milho a semeadura é uma das operações de extrema importância para obtenção do máximo potencial produtivo, pois é responsável pelos processos de cortar a palha, romper o solo, distribuir o fertilizante e semente na dose e profundidade correta e fechar o sulco. Esses processos possibilitam a germinação, a emergência e o estabelecimento uniforme da lavoura garantindo a população de plantas ideal conforme o híbrido e época de semeadura, sendo esses fatores fundamentais para alcançar o sucesso na operação, processo este que demanda de algumas ações como: a regulagem e manutenção antecipada da semeadora.
A revisão do maquinário é indicada a cada entressafra para verificar se há peças desgastadas ou quebradas e proporcionar uma inspeção geral nos elementos de corte, de deposição de adubo, engrenagens, correntes de transmissão, discos, limitadores de profundidade, compactadores, condutores de adubo e semente e, principalmente, nos seus componentes de distribuição.
Conforme o engenheiro agrônomo da Copagril, Pedro Maciel, dentre os fatores a se observar durante o processo de regulagem da semeadora é a escolha dos discos e anéis os quais possuem a função de capturar, individualizar, dosar e liberar as sementes, de forma homogênea, no tubo condutor levando-as até o solo.
A correta escolha do disco a ser utilizado tem como base o tamanho (diâmetro) da semente. Para cada formato e tamanho de semente existe um disco correto a ser empregado com seu anel correspondente. “Não atentar para essas especificações resulta em uma semeadura de má qualidade, com falhas e/ou duplas, além da possibilidade de causar dano mecânico à semente, resultando em perdas de produtividade”, reforça o profissional, o qual complementa, “recomenda-se fazer essa determinação após o tratamento de sementes, uma vez que muitos produtos podem modificar, mesmo que pouco, as dimensões
da semente”.
Na prática
A família Schäfer, de Novo Três Passos em Marechal Cândido Rondon, realiza regularmente o ajuste para a semeadura, com atenção na escolha do disco e anel adequados. A família, que produz em conjunto, tem atenção aos detalhes e cuidados para manter uma semeadura adequada com a distribuição correta das sementes. “Tudo começa na semeadura, se não fizer bem no começo todo o resto fica “meia boca”. É como construir uma casa, o alicerce deve ser bem feito, se não for, as paredes ficam tortas e depois o telhado também. Assim é também na semeadura, cuidamos para fazer um bom trabalho na implantação e assim ter bons resultados lá no fim”, explica Marcio Luiz Schäfer, segunda geração que trabalha em conjunto nas propriedades da família.
Almiro Helbing, o Miro, que trabalha com os cunhados Jorge Adolir Schäfer e Lírio Luiz Schaefer, e também os sobrinhos Charles José Schäfer e Marcio, destaca que as falhas refletem em perdas no manejo, “porque com planta ou sem planta o serviço é o mesmo, ou seja, o manejo de herbicida, inseticida e fungicida será realizado, mas não vai ter planta, é aí que perde”.
As perdas que os produtores da família Schäfer comentam estão relacionadas a produtividade e que são observadas após semeadura, ocasionadas por falhas – quando não ocorre a distribuição correta das sementes resultando em espaços vazios na linha de plantio, e quando ocorrem sementes duplas que também ocasiona perdas, “porque as plantas vão emergir e competir entre si por luz, água e nutrientes do solo gerando plantas dominadas, assim diminuindo a produtividade esperada”, explica o agrônomo da Copagril.
Um cuidado muito importante que também é lembrado pelo estudante de agronomia, associado da Copagril e produtor Matheus Luiz Ragazzan, que trabalha com o pai e o tio na produção de grãos. Ele descreve a atenção especial que se deve ter com a distribuição de sementes duplas, quando duas sementes ficam no mesmo orifício do disco, elas podem trancar o disco ou então cair junto no sulco. “Uma semeadura adequada é de suma importância na implantação da cultura, pois reflete na produtividade da lavoura. Uma regulagem adequada minimiza a ocorrência de dupla e maximiza o potencial de produção”, descreve.
Deve-se observar um encaixe adequado entre a semente e o orifício, permitindo a passagem fácil e, ao mesmo tempo, não possibilitar que duas ou mais sementes ocupem o mesmo orifício. Para checagem de prováveis duplas selecionam-se então, duas sementes menores e verifica-se se as duas sementes cabem no mesmo furo. Da mesma forma, para checagem das prováveis falhas selecionam-se as maiores sementes do mesmo lote de semente a ser semeada e verifica-se se estas passam com folga pelos furos. Se o encaixe for adequado pode utilizar esse disco escolhido para semeadura. Ou, se apresentar sementes presas no disco ou sementes duplas nos orifícios, trocar o disco por outro de diferente tamanho e refazer o teste.
Para a escolha correta dos discos e anéis é possível realizar um teste prático conforme as seguintes etapas:
Teste para escolha do disco
Passo 1 (selecione): Separar uma pequena amostra de sementes que seja representativa do lote.
Passo 2 (escolha): Escolha o disco adequado para a semente, conforme a sugestão descrita na sacaria da semente.
Passo 3 (posicione): Posicione o disco sobre uma superfície plana (mesa) e preencha os furos do disco com a semente a ser semeada.
Passo 4 (verifique): Levante o disco com as sementes encaixadas nos furos.
Após escolher o disco, outra etapa a ser realizada é a escolha do anel, os quais podem ser com friso
(1 mm a 2,5 mm de profundidade) para sementes redondas ou liso para sementes chatas de modo que as sementes não fiquem expostas e também não fiquem fundas demais.
Teste para escolha do anel
Passo 1 (selecione): Separar uma pequena amostra de sementes que seja representativa do lote.
Passo 2 (escolha): Escolha o anel de acordo com o formato da semente (chata/redonda) e posicione sobre uma superfície plana.
Passo 3 (posicione): Preencha os furos do disco com a semente a ser semeada.
Passo 4 (verifique): Verifique se as sementes ficaram bem alojadas nos furos do disco
Após a escolha do disco e anel adequado para a semente é necessário a montagem correta de ambos na semeadora, ajustando folgas entre a semeadora e a caixa de semente eliminando problemas de quebra e/ou desgaste excessivo do conjunto disco-anel, encavalamento de semente entre o conjunto causando perda durante o processo de semeadura. “Além do ajuste das folgas, é indispensável a utilização de grafite para lubrificar o sistema de distribuição, contribuindo para uma distribuição uniforme, mesmo que a semente já tenha polímero no tratamento, utilizar uma dose de 2 a 5 gramas por quilo de sementes”, recomenda Pedro.
O profissional lembra que “o produtor deve estar atento todas as vezes que houver troca de lotes de semente ou de híbrido. Quando isso acontece é necessário realizar o teste novamente para verificar se os discos e anéis deverão ser substituídos”.
Outros fatores externos também podem interferir no desempenho da operação de semeadura, como: tipo de solo, palhada, umidade e velocidade de operação. Por isso, é indispensável a conferência da operação várias vezes durante a semeadura. As amostragens devem ser realizadas no “meio” do talhão e em mais de uma linha de lados diferentes da semeadora, desenterrando as sementes e deixando-as no lugar para verificar a distribuição, finaliza o profissional.
A regulagem da semeadora é essencial para a obtenção do máximo potencial produtivo da lavoura.
A equipe agronômica da Copagril está disponível para mais esclarecimentos e também orientações sobre o teste e procedimentos de verificação da semeadura. Os profissionais podem ser contactados nas Unidades Copagril e também com a equipe Agronômica na Cooperativa.
*Matéria divulgada na Revista Copagril Edição 114 (janeiro/fevereiro). Você pode conferir o conteúdo original aqui (CLIQUE AQUI).