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Biotecnologia: sistemas mais produtivos e sustentáveis

27/03/2020

Biotecnologia: sistemas mais produtivos e sustentáveis

“A Biotecnologia – conceitualmente, a união de biologia com tecnologia – é um conjunto de técnicas que utiliza os seres vivos, ou parte desses, no desenvolvimento de processos e produtos que tenham uma função econômica e (ou) social. A biotecnologia envolve várias áreas do conhecimento e, em consequência, vários profissionais, sendo uma ciência de natureza multidisciplinar”, o conceito é apresentado no livro ‘Biotecnologia: estado da arte e aplicações na agropecuária’ da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Não há como falar em agricultura 4.0 sem “passar” pelo campo da biotecnologia e suas implicações nos modelos de produção e gestão, com efeitos para o campo e cidade, aperfeiçoando e criando novas possibilidades para uma produção mais eficiente em todas as cadeias. A biotecnologia é muito ampla envolvendo vários segmentos de atuação na microbiologia, biomedicina, bioquímica, engenharia química, engenharia genética, biologia celular e molecular, genética, entre outras. O livro ainda descreve, em seu capítulo inicial, de autoria de Fábio Gelape Faleiro e Solange Rocha Monteiro de Andrade, que o “termo biotecnologia foi utilizado, pela primeira vez, no início do século passado. Apesar de o termo ser novo, o princípio é muito antigo. Considerando o seu conceito amplo, podemos dizer que a biotecnologia se iniciou com a agricultura ou agropecuária, ou seja, com a capacidade do homem de domesticar plantas e animais para seu benefício”.

Faleiro explica que, por exemplo, a utilização da levedura na fermentação da uva e do trigo para produção de vinho e pão vem de muitos anos antes de Cristo e com a evolução da ciência, a biotecnologia vem aumentando seus benefícios econômicos, sociais e ambientais. “A biotecnologia está no dia a dia das pessoas em diferentes áreas de atuação. Podemos citar como exemplos as fermentações industriais na produção de vinhos, cervejas, pães, queijos e vinagres; a produção de fármacos, vacinas, antibióticos e vitaminas; o uso de microrganismos visando à biodegradação de lixo e esgoto”, explica o pesquisador e escritor.

Ele descreve que, em especial para o caso dos produtores rurais, a biotecnologia está presente desde o início da agricultura com a domesticação das plantas e dos animais. “Por meio das ações de pesquisa e desenvolvimento, a biotecnologia trouxe grandes avanços na agricultura na busca da sustentabilidade econômica, social e ambiental. Podemos citar como exemplos, o uso de bactérias fixadoras de nitrogênio e fungos micorrízicos para a melhoria de produtividade das plantas; a utilização de biopesticidas no controle biológico de pragas e doenças; o desenvolvimento de plantas e animais melhorados utilizando técnicas convencionais de melhoramento genético e também a engenharia genética”, comenta Faleiro.

Biotecnologia no campo

Pode-se dizer que a biotecnologia é a base do trabalho do produtor rural, o qual utiliza as plantas e os animais na geração de produtos, empregos e renda no campo e na cidade, explica Faleiro, pesquisador nas áreas de Genética e Biotecnologia. “Desde o início da domesticação das plantas e animais até os dias atuais, as práticas agropecuárias evoluíram muito no sentido de aumentar a produtividade das plantas e dos animais. Um exemplo de sucesso recente é a agricultura brasileira. Na década de 1970, o Brasil importava alimentos e hoje produz alimentos suficientes para alimentar mais de 1 bilhão de pessoas. Na década de 1970 a produção de grãos no Brasil era de 38 milhões de toneladas e atualmente é superior a 236 milhões de toneladas, enquanto a área plantada era de 37 milhões de hectares e subiu para pouco mais de 60 milhões de hectares. Certamente, os avanços na biotecnologia contribuíram para este grande sucesso em duas frentes: 1. melhorando os sistemas de produção agrícolas (por exemplo, utilizando bactérias fixadoras de nitrogênio e o controle biológico inserido dentro do manejo integrado de pragas e doenças) e pecuários (por exemplo, desenvolvimento de vacinas e produção de medicamentos, enzimas, vitaminas, hormônios e outros produtos para composição de rações e manejo animal); 2. melhorando a genética das plantas e dos animais (por exemplo, desenvolvimento de cultivares de soja adaptadas às condições de solo e clima de todas as regiões do Brasil e desenvolvimento de linhagens de aves e suínos mais precoces e mais produtivas”, explica.

“Na soja e no milho, além das melhorias nos sistemas de produção com produtos biotecnológicos, as variedades desenvolvidas pela engenharia genética ou transgenia já são realidade no Brasil. Estima-se que aproximadamente 94% da soja e 85% do milho cultivados no Brasil são transgênicos. As plantas transgênicas, de um modo geral, trouxeram vantagens para o produtor rural, para os consumidores e também para o ambiente. O exemplo mais claro destes benefícios são as plantas transgênicas resistentes a insetos. Com a resistência genética das plantas, o produtor rural deixa de aplicar nas plantações milhares de toneladas de inseticidas caros e altamente tóxicos para os consumidores e para o ambiente”, diz Faleiro.

Ele também comenta sobre o destaque da biotecnologia aplicada na produção de aves, suínos e gado leiteiro. “Seria praticamente impossível a produção animal em escala comercial sem a biotecnologia presente nas vacinas, medicamentos e outros produtos para composição de rações e manejo animal. Novas técnicas de reprodução animal auxiliadas pela biotecnologia (produção e transferência de embriões, criopreservação de espermatozóides, inseminação artificial, fecundação in vitro, seleção genômica de animais geneticamente superiores, etc.) têm aumentado a eficiência reprodutiva e produtiva dos animais. Um ponto importante que eu gostaria de salientar é que a ciência e a tecnologia são muito importantes para o grande, médio e também para o pequeno produtor. Nas pequenas propriedades, o uso da terra para a produção vegetal ou animal deve ser otimizado. Para isso, o pequeno produtor deve trabalhar com tecnologia no sistema de produção, agregando valor à sua produção e aumentando sua competitividade”, completa.

*Livro ’Biotecnologia: estado da arte e aplicações na agropecuária’ disponível online em http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/75345/1/LivroFaleiro01.pdf


*Matéria divulgada na Revista Copagril Edição 114 (janeiro/fevereiro). Você pode conferir o conteúdo original aqui (CLIQUE AQUI).

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