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Mais com o mesmo: seleção e manejo de animais para a produção leiteira

31/03/2020

Mais com o mesmo: seleção e manejo de animais para a produção leiteira

Como diria um celebre apresentador da tv: é a pergunta de R$ 1 milhão - como produzir mais com o mesmo? Essa é a pergunta mais atual e mais importante em todos os modelos de produção, seja na agricultura, pecuária, na indústria ou no comércio em geral. Como fazer mais com os mesmos recursos. Contudo, para o produtor de vacas de leite a resposta pode estar bem perto, ali no pasto.

Desde que se iniciou a domesticação dos animais e a produção comercial, a busca sempre foi por maior capacidade de produção com os menores custos. A seleção dos bovinos foi um importante passo para essa proposta, a partir da seleção foram aprimoradas as raças e criados animais melhores, com maior capacidade de produção, maior robustez e adaptabilidade, além de todas as características que permeiam um bovino de bom manejo. Além da qualidade comportamental do animal a capacidade de produção de leite, em especial para animais deste fim, teve grande avanço por meio da seleção genética, que passou dos poucos litros para mais de dezenas de litros por dia.

Mas além da alta produção, a qualidade do produto também está diretamente ligada ao resultado. Para o leite significa que não são apenas “mais litros”, mas também aumento da produção com qualidade de leite, isso em sólidos, gordura e características sanitárias adequadas, explica a supervisora do fomento leite da Copagril, Caroline Hoscheid Werle. “Por meio da seleção, prática de inseminação e outras ações de escolha genética, temos vários animais de alta produção disponíveis, mas infelizmente, nem sempre conseguimos alcançar o melhor potencial produtivo destes porque existem falhas e erros, o que podemos chamar de efeitos colaterais, e que comumente estão ligados ao manejo e por consequência ao bem-estar animal”, adverte.

Seleção

A seleção dos melhores animais e as mudanças genéticas são importantes para um plantel de alta produção, mas a seleção genética e a incorporação de animais de características diferentes da usual podem também ter efeitos adversos. “A inseminação e a seleção são muito importantes e mais do que isso, são fundamentais. Porém, essa etapa deve ser acompanhada com muito zelo, uma vez que as características de adaptabilidade ao ambiente estão ligadas a genética das linhas de cada raça. Por exemplo, um animal europeu de alta produção, pode ser um grande produtor, mas se não for um animal de adaptação ao nosso clima, não conseguirá expressar seu máximo potencial porque não terá o conforto climático adequado. Assim, entender melhor cada raça e suas capacidades é uma das melhores opções para conseguir os melhores resultados”, explica Carol.

As características de cada animal, quando conciliadas às práticas de bem-estar, tem alta predisposição a expressar o máximo do potencial produtivo. Entender esses aspectos individuas, juntamente com a alimentação adequada e as melhores práticas de manejo, pode significar em aumento da produção, sem necessariamente aumentar o plantel.

Manejo

“Considerar que o rebanho leiteiro é suscetível a doenças e estar atento aos sinais faz parte da identificação dos pontos críticos de bem-estar animal. Ou seja, o diagnóstico e o pronto tratamento das doenças são cruciais para a manutenção do bem-estar animal. O produtor que está no dia a dia de manejo consegue identificar uma mudança de comportamento, diminuição na alimentação e sinais de doenças. Quando isso acontece, a equipe técnica da Copagril está disponível para fazer o acompanhamento e diagnóstico. Assim é possível identificar e resolver os problemas o quanto antes, ou seja, ter o mínimo de perda em produção, mantendo o animal e o plantel saudáveis e com as melhores características de bem-estar”, descreve Carol.

Nas últimas décadas, a evolução e desenvolvimento produtivo das vacas leiteiras resultou em uma exigência nutricional maior para cada animal, ou seja, mais alimento por cabeça. Quando alguns dos animais ficam impossibilitados de ingerir uma quantidade adequada de nutrientes, seja por falta de alimento, conflitos sociais entre os animais do rebanho, ou problemas de mobilidade - por exemplo, causados por doenças de casco -, podem sofrer fome crônica e doenças metabólicas que terão efeito direto em sua capacidade de produção. “Ficar atento à demanda de alimento, disponibilidade e nutrição dos animais é muito importante, uma vez que será a partir da alimentação adequada que haverá a produção do leite. Não é apenas ter pasto ou alimento em abundância, mas é também ter uma alimentação equilibrada e de alto valor energético, disponível de forma adequada. Uma vaca bem alimentada pode expressar seu máximo potencial produtivo e terá resultados melhores em relação aos momentos de déficit nutricional”.

A atenção às doenças e alimentação devem ser conciliadas ao espaço e conforto das instalações. “As vacas necessitam de instalações limpas e confortáveis, de fácil acesso, nas quais possam se deitar e levantar com facilidade, além de manter o contato social com outras”, explica Carol. Ela também faz o alerta: “um projeto inadequado das instalações pode ter consequências diretas em termos de lesões nos membros dos animais, também denominadas tecnopatias, seja pela má distribuição de peso sobre eles ou por lesões de abrasão nas estruturas da baia. O projeto das baias e da drenagem de dejetos dos corredores da estabulação exerce influência direta sobre a saúde do úbere, afetando o potencial de infecções bacterianas, além de que, as vacas evitam usar baias desconfortáveis”.

“Estudos mostram que os animais não apresentam clara preferência pelo pasto ou pelo galpão de confinamento, mas essa escolha de local parece ser condicionada ao período do dia e fatores ambientais e essa liberdade de escolha do animal constitui um aspecto positivo para seu bem-estar”, descreve ela ao lembrar que o sistema de semiconfinamento difundido no Brasil é uma prática que pode representar uma importante vantagem em termos de bem-estar animal.

“Produzir mais com o mesmo espaço e com os mesmos animais é possível, mas também é preciso ainda mais atenção e cuidado. São os detalhes que podem fazer a diferença, uma vez que o modelo de produção atual, do campo à indústria, tem menos espaço para erros e quanto mais conseguirmos acertar nas ações do dia a dia, melhores serão os resultados lá na frente”, completa Carol.


*Matéria divulgada na Revista Copagril Edição 114 (janeiro/fevereiro). Você pode conferir o conteúdo original aqui (CLIQUE AQUI).

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