Os agricultores da área de atuação da Cooperativa Agroindustrial Copagril estão realizando os manejos em suas lavouras para alcançar bons resultados no fim do ciclo da segunda safra de milho (safrinha), a principal safra relacionada à cultura na região. Porém, uma preocupação latente já no início da safra é a incidência dos enfezamentos causados pela cigarrinha do milho (Dalbulus maidis), que desde 2019 ocorre com mais frequência na região e tem potencial de prejudicar até 80% da produção.
O fiscal agropecuário da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Anderson Lemiska, explica que os enfezamentos realmente são preocupantes e que a cigarrinha é o vetor de proliferação do problema. “Sozinha, a cigarrinha não é capaz de causar prejuízos significativos. O problema está nos enfezamentos e a risca do milho, doenças que ela carrega e transmite às plantas sadias”,
comenta Anderson
O enfezamento
O enfezamento é uma doença causada por patógenos chamados molicutes (bactérias sem parede celular). Existem dois tipos de enfezamentos, o enfezamento pálido e o enfezamento vermelho, causados por Spiroplasma kunkelii e Phytoplasma, respectivamente. Os dois tipos podem ocorrer de forma simultânea no milho e a identificação é feita por visualização de sintomas nas plantas, mas para confirmação dos patógenos é realizada análise molecular. “Os molicutes são bactérias sistêmicas que circulam toda a planta, afetando toda a regulamentação hormonal”, destaca o fiscal da Adapar.
Conforme entrevista da pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, Dra. Dagma Dionísia da Silva, divulgada na edição 117 da Revista Copagril “o problema da ocorrência dos enfezamentos é que são doenças sistêmicas para as quais não existe nenhum controle químico, ou seja, após surgirem os sintomas, não tem nenhuma ação que possa minimizar as perdas”, comentou a profissional.
Medidas de controle
Conforme embasamento em conteúdos da Embrapa Milho e Sorgo, várias práticas de controle são recomendadas para serem adotadas em conjunto para ter a máxima eficiência:
·Sincronia da semeadura do milho;
·Evitar semeaduras de milho fora de época;
·Diversificar e rotacionar cultivares de milho;
·Escolha de material geneticamente mais resistente;
·Tratamento de sementes para controle dos insetos iniciais;
·Monitoramento da cigarrinha;
·Se necessária, utilização do controle químico com agrodefensivos cadastrados na Adapar e com o auxílio de um profissional de agronomia para melhor eficiência;
·E o principal: eliminação de milho voluntário (guaxo, tiguera).
“Esse milho voluntário traz sérios problemas para o milho safra e safrinha, afinal, essa planta é hospedeira da cigarrinha e dos molicutes. A cigarrinha se instala na planta e inicia uma população, pois ela pode colocar de 400 a 600 ovos com alta viabilidade. Essas procriações migram para o milho safra e safrinha com uma grande população, e, caso a planta voluntária esteja com incidência de enfezamento, as cigarrinhas já saem infectadas de lá, atacando e transmitindo a doença para as culturas já na fase inicial”, enfatiza Lemiska.
Dentre os sintomas do enfezamento, destacam-se as características de folhas avermelhadas, amareladas ou verde limão, porém os sintomas relacionados aos enfezamentos vão bem além de folhas com cores diferentes, sendo graves à cultura:
·Multiespigamento: várias espigas na mesma planta sem ou com má formação de grãos.
·Raízes com tamanho reduzido, prejudicando a sustentação e desenvolvimento da planta;
·Espigas com problemas de enchimento de grãos, pequenas e/ou mal formadas;
·Perfilhamento: um ramo principal e outros secundários na mesma raiz, prejudicando a formação da planta e grãos;
·Acamamento da planta: dobramento do colmo em vários momentos da cultura, tanto em plantas precoces quanto em plantas com espigas e grãos formados;
*Com relação aos acamamentos, existe um fungo associado. "O enfezamento enfraquece a planta e os fungos oportunistas entram dentro do colmo, fazem com que ele apodreça e a planta não consegue sustentar seu próprio peso”, complementa Lemiska.
Campanhas
A Copagril em conjunto com a Adapar e entidades tem incentivado campanhas de eliminação de milho voluntários para quebrar o ciclo inicial da população de cigarrinhas, por isso, após o fim da safra e safrinha é recomendado o monitoramento e a eliminação de qualquer planta voluntária da propriedade, visando quebrar o ciclo da cigarrinha e dos enfezamentos. “A Adapar está junto com o setor produtivo fazendo monitoramentos, coletas e análises laboratoriais no sentido de tentar mitigar os problemas ocasionados pelos enfezamentos do milho no Paraná”, finaliza Lemiska.